Banco central britânico reduz juros para 0,5% ao ano
O Banco da Inglaterra (BC britânico) reduziu nesta quinta-feira sua taxa de juros para 0,5% ao ano, um corte de 0,5 ponto percentual. A taxa chega assim a um nível baixo inédito na história do banco, fundado em 1694. O corte de hoje foi o sexto consecutivo.
No mês passado, o banco havia informado que o Reino Unido está em uma "profunda recessão" e que não deve voltar a apresentar crescimento econômico até o fim deste ano.
Também em fevereiro, o ONS (Escritório Nacional de Estatísticas) informou que, no quarto trimestre do ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) britânico registrou uma contração de 1,5% em comparação com o trimestre anterior, período também marcado por um índice negativo. Trata-se da primeira vez desde 1991, depois que a economia do país registrou forte desaceleração nos últimos dois trimestres de 2008, arrastada pela crise financeira global.
Nesta semana, o jornal britânico "The Daily Telegraph" informou que o BC britânico obteve permissão do governo para emitir 150 bilhões de libras (cerca de US$ 211,5 bilhões). O ministro da Economia do Reino Unido, Alistair Darling, disse em entrevista ao jornal que já deu autorização ao banco para a emissão de dinheiro, e que agora a autoridade monetária deve decidir o momento apropriado para emiti-lo.
A emissão de dinheiro seria para comprar títulos do governo e ativos do setor privado, para aumentar a liquidez nos mercados e impulsionar a concessão de créditos.
O professor-associado da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) da USP e especialista em mercados de capitais, moedas e bancos, Joe Akira Yoshino, disse à Folha Online, no entanto, que se não trata da emissão de papel-moeda. Segundo ele, o banco central britânico vai comprar dívidas e títulos governamentais dos bancos comerciais, na expectativa de que o dinheiro assim liberado seja oferecido como crédito.
Ele informou que essa medida é típicas de momentos em que a taxa básica de juros está próxima de zero --a taxa do BC britânico está em 1%, a menor desde que a instituição foi criada, em 1694. "No momento atual, há espaço para se oferecer liquidez, visto o quadro recessivo em que se encontra o Reino Unido", disse.
Ele destacou que a liquidez assim liberada não causará efeitos inflacionários, justamente devido ao quadro de recessão em que a economia britânica se encontra. "No curto prazo isso não deve causar efeitos inflacionários", afirmou. Yoshino ressaltou, no entanto, achar difícil que os bancos se interessem em se desfazer junto ao banco central de ativos bons em troca de dinheiro que vai entrar em circulação como empréstimo, correndo à contração econômica.













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